O Princípio: a questão das origens
- Peixessonhador

- 16 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de mar. de 2021
Quando tratamos das origens das coisas, invariavelmente associamos o tema ao “início”, entretanto é importante destacar que analisar o “início das coisas” não significa buscar saber simplesmente o começo, ou seja, quando começou, onde começou ou ainda quem começou. Ao estudar as origens de algo, fundamentalmente buscamos estabelecer os “princípios”, algo muito diferente de simples “começos”.
Em 1968, eu era um moleque meio desajustado, morava na casa de meus avós maternos na Divisa dos Tambores entre Santos e São Vicente. Nessa época, a coisa mais valiosa que possuía era um tanto de revistas e gibis usados que guardava numa caixa de madeira.
Na época, garotos da minha idade viviam na rua jogando bola, empinando pipas ou fazendo outros tipos de brincadeiras. Entretanto, meus avós eram muito rigorosos, não me deixavam sair por nada, com isso meu mundo se resumia ao quintal da casa na rua Divisória, acho que este era e ainda é o nome da rua larga, do nosso lado Santos, do outro São Vicente.
Acontece que, uma vez por semana, numa rua próxima, acontecia uma feira, nesses dias, eu me sentava no muro da frente de casa e me distraia acompanhando o movimento de ir e vir das pessoas, elas vinham com as sacolas ou carrinhos vazios e retornavam com eles carregados de frutas, cereais, legumes, mantimentos em geral.
Ocorre que, num desses dias tive uma surpresa, vi que algumas traziam também revistas, e isso acabou me dando uma ideia. Na semana seguinte, no dia da feira, bem cedinho tirei minhas revistas e gibis do caixotinho de madeira e espalhei sobre uma esteira no chão da calçada em frente de casa. Vendi quase tudo antes mesmo do final da manhã e fiquei muito satisfeito.
Mas, sem ter noção do valor das coisas, quando tentei repor meu estoque de revistas e gibis, ou seja, meu valioso tesouro, não consegui, pois o que arrecadei com a venda era suficiente para comprar tão somente uma revista na banca de jornal da Antônio Emerich.
Daí então, eu percebi que aquele tesouro havia se acumulado de uma forma que na época era bem comum, a troca. Com outros moleques do bairro e principalmente da escola, eu trocava gibis e revistas e nessas trocas, as vezes, um gibi do "Recruta Zero" resultava em duas revistas "Contigo", ou um "Billy The Kid" por um "Tarzan" e uma "Intervalo", e nesse balanço, o caixotinho de madeira as vezes esvaziava, noutras se enchia de gibis e revistas usadas. Mas, a partir daquele dia me desfiz do tal caixotinho, vazio ele perdera a função.
Escrevo isso porque, desde muito cedo percebi que não seria um bom empreendedor. E isso se confirmou posteriormente, todas minhas tentativas nesse campo foram frustradas. Essa constatação me fez chegar aqui, a esse texto, o primeiro deste blog e que inaugura minha pequena loja on-line onde pretendo oferecer as coisas que considero mais valiosas acumuladas no meu caixotinho.
Certo, não sou bom empreendedor, mas sou bom em contar histórias, aliás, sou Historiador, duas coisas diferentes (explico num próximo post). Por isso, espero que a partir de agora, eu consiga arrebanhar seguidores para meus textos neste blog, e lógico vender alguns livros.
Afinal, apesar de tanto tempo ter passado, continuo ainda sendo um moleque desajustado sentado de frente pro mundo observando o ir e vir das pessoas.


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